Chegou aos 40 anos sem nenhum patrimônio ou poupança? Ainda
dá tempo de mudar essa realidade, mas vai ser preciso muito esforço e
disciplina.
Segundo eles, o mínimo de patrimônio esperado ao chegar a
essa idade é ter uma casa própria.
"Até os 30 anos, espera-se que a pessoa tenha juntado o
suficiente para dar entrada na casa própria e, até os 40, tenha quitado ou
esteja terminando de pagar o financiamento da casa. Além disso, um carro para
seu conforto, pois carro não é investimento", diz Mauro Calil.
O primeiro passo para começar a poupança é entender os
motivos pelos quais a situação chegou a esse ponto, afirma o professor César
Caselani.
Os economistas relacionam uma série de situações que podem
ter contribuído:
◾ Ser de origem muito humilde e
sustenta a família
◾ Ser alguém que nunca trabalhou e
se "encostou" nos pais
◾ Ser um empresário que
quebrou e perdeu tudo
◾ Ser do tipo que gasta mais do
que ganha.
Pare de tomar cerveja e faça alguma coisa "De qualquer
maneira, está na hora de parar de tomar cerveja, ou seja, de olhar o tempo
passar", diz Mauro Calil. "A situação ainda não é desesperadora, pois
em tese faltam 20 anos para a aposentadoria, mas não dá mais para ficar parado
sem fazer nada."
A solução será um
trabalho duro para garantir essa economia futura.
A fórmula não tem
segredos: terá de economizar parte do que ganha para formar essa poupança. Se a
pessoa gasta todo o dinheiro que recebe, terá de buscar dois caminhos: cortar
despesas e/ou aumentar os ganhos.
Segundo Caselaini, o
primeiro passo é olhar o padrão de gastos para ver onde é possível "passar
a tesoura". "É preciso focar os gastos que representam um porcentual
relevante e não são essenciais."
Ele dá exemplos:
fazer uma viagem mais barata de férias ou não viajar, reduzir a conta do
celular contratando um plano, contratar um pacote de internet ou TV mais
barato, não trocar de carro com muita frequência.
Pior cenário é falta de qualificação
O pior cenário, porém, não é esse. Segundo Mauro Calil, o
problema é quando a pessoa não consegue renda suficiente. Nesse caso, terá de
procurar uma qualificação para conseguir melhorar seu rendimento.
"Se falta qualificação para obter um trabalho melhor, é
hora de ir atrás disso", diz Mauro Calil. Ele sugere procurar cursos
gratuitos de qualificação oferecidos nas cidades. Além disso, outro caminho
poderia ser buscar uma graduação numa faculdade.
"Mas a pessoa não pode entrar na faculdade aos 40 e
querer disputar programa de trainee em multinacional em algum tipo de
carreira", diz.
"Ela tem de ir para onde vai fazer a diferença." O
educador sugere que a pessoa estude, inclusive, a possibilidade de ir para o
interior, onde há escassez de profissionais.
Concurso público também seria outra opção, mas um pouco mais
incerta. "Você até consegue passar, mas não sabe nem quando nem se vai ser
chamado", diz.
Feito isso, é hora de decidir onde aplicar o dinheiro
O primeiro passo para começar a juntar a poupança é decidir
qual a renda que necessitará ter e por quanto tempo.
O professor César Caselani calculou que uma pessoa de 40
anos que deseje ter uma renda mensal de R$ 5.000 por 10 anos terá de
contribuir, mensalmente, com R$ 974,73 em uma aplicação que renda 0,5% líquidos
mensalmente durante o período. Essa é a rentabilidade atual da caderneta
poupança.
Objetivo: R$ 2.500 ou
R$ 5.000/mês por 10 anos
Renda de R$ 2.500
Contribuição mensal por 20 anos: R$ 487,37 Rentabilidade: 0,5% ao mês
Renda de R$ 5.000
Contribuição mensal por 20 anos: R$ 974,73 Rentabilidade:
0,5% ao mês
"É importante
procurar bons produtos de investimento que te deem uma rentabilidade razoável a
um custo baixo, fugindo das taxas de administração que cobrem mais de 1%",
diz o professor de Finanças.
Valor acumulado varia
de acordo com economia e rentabilidade
O educador Mauro
Calil também fez uma simulação de quanto o poupador iria obter ao longo de 20
anos economizando R$ 500 por mês a uma rentabilidade mensal de 0,5%. O valor
acumulado seria R$ 231.020,45.
Meio por cento ao mês
é o que paga atualmente a caderneta de poupança, considerando a taxa de juros
de 11% ao ano. "Se quiser aumentar a renda, vai ter de se arriscar em um
pouco de renda variável", diz Calil.
Se a pessoa desejar uma renda maior, ele indica investir
pelo menos uns 10 anos num fundo de ações.
Sophia Camargo
Fonte: http://economia.uol.com.br/financas-pessoais
César Nazareno Caselani, professor da FGV-EAESP


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