Depois que o Banco Central decidiu interromper o ciclo de
alta da taxa básica de juros, a Selic, mantendo-a em 11% ao ano, alguns títulos
do Tesouro Direto tendem a continuar com rendimento acima de diversas outras
modalidades de aplicações de renda fixa.
Já a poupança e os fundos DI devem apresentar uma
rentabilidade menor do que a do Tesouro e do CDB.
A conclusão é de um estudo do economista Pedro Raffy
Vartanian, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, feito a pedido do
blog Achados Econômicos.
As projeções do gráfico acima consideram a rentabilidade
líquida de impostos e taxas de administração, com resgate após 12 meses. Elas
foram feitas a partir da média que cada uma dessas aplicações teve desde que o
BC aumentou a taxa básica de juros para 11% ao ano, em 3 de abril.
Em relação à poupança, a rentabilidade é mais previsível
porque é definida por lei. Enquanto a taxa básica de juros se mantiver no atual
patamar, a caderneta tende a render 7,1% anuais.
No caso das LFTs (Letras Financeiras do Tesouro), que são
títulos do Tesouro Direto, a chance de erro de uma projeção também é pequena,
pois esses papéis são indexados à taxa Selic. Eles devem render 8,75% anuais
enquanto o juro básico continuar em 11%.
Já para os demais títulos do Tesouro, não vale a pena fazer
uma previsão porque eles variam muito ao longo do ano, conforme as expectativas
dos investidores. Como foi dito neste blog, as NTN-B (Notas do Tesouro Nacional
B), por exemplo, chegaram a subir 11% em apenas 30 dias, depois de caírem mais
de 20% em meses anteriores.
A expectativa em relação aos fundos DI foi feita com base na
média desta categoria encontrada nos cinco maiores bancos. No caso dos fundos
da categoria Renda Fixa, Raffy considerou prudente não fazer uma previsão
porque eles tiveram perdas acentuadas no ano passado e podem ter ganhos
atípicos este ano, como parte da recuperação, o que os torna menos previsíveis.
O mais provável é que eles tenham melhores resultados em 2014.
A boa notícia é que, diferentemente do ano passado, em 2014
as quatro modalidades de investimento aqui estudadas devem render acima do
índice oficial de inflação. A projeção mediana de analistas é de que o IPCA
(Índice de Preços ao Consumidor Amplo) avance em torno de 6% nos próximos 12
meses.
Como escolher
A escolha da melhor aplicação depende não apenas da
rentabilidade apresentada, mas também do prazo desejado pelo investidor.
Para quem tem certeza de que não vai precisar usar o
dinheiro em menos de dois anos, uma boa aplicação é o Tesouro Direto, em que
não há taxa de administração, como ocorre com os fundos de investimento.
Existe somente uma taxa de custódia, de apenas 0,3% ao ano,
e a corretagem, que varia de zero a 2% ao ano, mas normalmente fica em torno de
0,5% (veja aqui quanto o seu banco cobra).
A vantagem do Tesouro Direto é a boa rentabilidade. A NTN-B
com vencimento em maio de 2019, por exemplo, hoje está pagando inflação mais
5,89%. A desvantagem é o prazo: para obter esse rendimento, o investidor tem
que aguardar cinco anos sem mexer no dinheiro. Se retirar antes, corre o risco
de ter uma rentabilidade nula ou até negativa.
Quem vai precisar do dinheiro nos próximos meses pode
investir em um título pós-fixado, como a Letra Financeira do Tesouro. O risco
desse papel é de o Banco Central reduzir a taxa básica de juros. Se isso
ocorrer, o investidor ganha menos. Porém, não há perspectiva de que isso ocorra
nos próximos 12 meses. Ao contrário, analistas consultados pelo BC acreditam
que o juro básico suba de 11% para 11,25% ainda em 2014 e atinja 12% no final
do ano que vem.
Para quem quer mais segurança, a poupança se tornou uma
opção razoável, pois deve pagar 7,1% nos próximos 12 meses, ou seja, ficará
acima do índice oficial de inflação. A desvantagem é que o rendimento é mensal,
não diário, como nos fundos de investimento. O poupador só ganha a cada mês
completado.
Os fundos de investimento ainda não vêm apresentando uma boa
performance. Perderam muito no ano passado e recuperaram apenas parte. No caso
dos fundos DI, a projeção do economista Pedro Vartanian é de uma alta média de
apenas 6,8% em 12 meses (já descontado o IR), a menor das quatro modalidades
estudadas.
Sílvio Guedes Crespo
Uol Economia achadoseconomicos


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